O (Des)Caso Acerca das Escolas Públicas Brasileiras

Sexta-feira passada, todos os professores da rede municipal da cidade onde moro tiveram sua primeira reunião administrativa e pedagógica. A nossa foi muito prazerosa, com apresentação das melhorias realizadas no espaço físico da escola durante as férias, outras mudanças de procedimentos a fim de melhorar e facilitar o trabalho de todos, dinâmicas e atividades diferenciadas, como há muito não se via.

Tivemos, porém, uma notícia surpreendente: fomos informados de que iniciaríamos o ano letivo com 3 salas de aula vazias. Não, não se trata de falta de alunos, pelo contrário, temos em média 1.ooo alunos. O fato é que as salas estão vazias pois não há classes (ou carteiras, como são chamadas em outros estados brasileiros) suficientes. Já havia uma defasagem no número de classes, e com as reformas foi constatado que algumas delas não tinham mais condições de serem usadas, pois estavam velhas e muito danificadas. E um detalhe importante: depois de feita a solicitação junto à Prefeitura, há a questão da licitação e a previsão é de que recebamos em torno de 100 classes em abril. Isso, claro, se tudo der certo.

Apesar disso, estávamos todos motivados, já procurando soluções para essas turmas não ficarem sem aulas, talvez os envolvendo em atividades esportivas. Entretanto, ao chegarmos hoje na escola para o primeiro dia de aula, nos deparamos com uma escola vazia e descobrimos que, após a forte chuva do sábado passado, o muro ao redor da escola havia cedido e estava prestes a desabar por cima da quadra esportiva, impossibilitando o trânsito de alunos e funcionários. Ficamos desapontados, claro, mas não tanto quanto alguns alunos que vimos. Meninas ansiosas da 7a série, empolgadas com seus cadernos novos, prontos para serem preenchidos, virando as costas e voltando para suas casas desapontadas.

Todos foram dispensados e estão aguardando uma resposta da Secretaria de Educação, a qual só atende o telefone após às 8h, apesar das escolas iniciarem seus trabalhos às 7h30min. E o que causa revolta é o fato de ninguém resolver o problema e só passar a “bomba” adiante, pois os órgãos (in)competentes já haviam sido informados sobre o risco do muro cair há anos. Por que nada foi feito para prevenir isso? É preciso que o muro caia sobre uma criança para que atitudes com um mínimo de bom senso sejam tomadas? Até quando?

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