A crise dos 50

This tale is by a student who’s absolutely precious to me. She’s a teenager who enjoys classic Literature and can write pretty well, which is something rare nowadays, if you ask me. Here’s her first tale. It’s in Portuguese but I’m sure you can manage to understand it. Hope you enjoy it as much as I do.

A crise dos 50

by Marina Guerin

Era dia de festa em minha casa, pois comemorava 50 anos. Toda a minha família e todos os amigos foram convidados. Esperava ansiosamente a chegada de todos e a cada pessoa que chegava, uma alegria tomava conta do meu ser. Era ótimo as pessoas que amo comemorando comigo meu dia de anos. Tudo estaria perfeito, a noite seria perfeita se aquele fato não tivesse ocorrido…

A campainha tocou, fui atender. Meu querido irmão chegara com a família (que possuía uma nova integrante). Quando meus olhos caíram nela meu corpo estremeceu. De imediato meu corpo foi tomado de um sentimento estranho e quando a cumprimentei, ela, com sua voz doce como a de anjos, desejando-me felicidade e dando-me um abraço, foi como se estivesse ficado hipnotizado. Obsequiei que entrassem e assim foi feito.

A campainha tocou não sei mais quantas vezes. Recebi todos com um enorme sorriso, mas senti que já não era mais o mesmo. Aquela sensação começava a me deixar um tanto desconfortável e aborrecido.

Só pensava naquele abraço com aquele anjo meigo de olhar selvagem. Observava as carícias que ela trocava com meu sobrinho, e aquilo me angustiava.

Aquelas carícias discretas que ela tinha para com ele me encantavam. Sorrisos, gestos simples, o desvio do olhar e o corar da face quando ele lhe falava algo ao pé do ouvido demonstravam o quanto ela o amava, o quão puro aquele sentimento era e eu, bem, eu me fascinava com aqueles gestos e pureza de anjo.

Sim, apesar de ser meiga como criança bem educada e bela como uma aparição divina tinha um olhar de felino selvagem e eu não sei o que dela mais me chamou atenção.

Os observava discretamente, em meio a conversas e servidas. O olhar dela realmente me enfeitiçava.  O olhar de desejo feroz, voraz, arrebatador. Confesso que o vocabulário me falta para explicar a intensidade do desejo que aqueles olhos meigos e ao mesmo tempo selvagem deixavam transparecer.

Em meio a uma das observações daquele anjo magnífico, esculpido por Hefesto, ela me olhou; Senti o olhar penetrar a minha alma, sugando de todo meu ser. O anjo sorriu, então, com malícia. E foi ai que meu mundo revoltou-se contra mim.

Ele havia saído, não sei bem aonde, e havia a deixado por instantes e naqueles instantes o seu olhar selvagem que mostra sua alma pura e doce, penetraram nos meus e me revelavam um voluptuoso desejo. A encarava, e ela fazia o mesmo. Corou a face, com um sorriso estampado nos lábios, mas mesmo com aquela timidez de menina jovem seus olhos transpareciam desejos quentes como de uma mulher de 30 anos.

Foi ai que percebi que ela também me desejava. Uma alegria diferente de todos os tipos de alegria que já senti iluminou meu ser. Ela virou o rosto, fiz o mesmo, pois havia se passado algum tempo assim – eu, naquela hora não fazia ideia de quanto tempo havia se passado e nem sabia mais quem era; perdi-me na voluptuosidade do anjo e não queria mais me encontrar – e alguém poderia notar nossos olhares. Além do meu casamento de 28 anos, a minha relação familiar, a reputação do ser doce e encantado estaria em jogo se fôssemos pegos. Mas a nossa sorte foi que ninguém percebeu.

Continuamos com olhares furtivos e discretos e a cada vez que me olhava e a via com ele, feliz, meu coração começava a doer de ciúme. Uma vontade de força sobrenatural tomou meu ser; a vontade de tê-la pra mim e fazê-la feliz. Apesar de sentir que ela me desejou também, eu percebia que o seu coração era dele, que ela o amava acima de tudo. Esse fato me aborreceu.

Aquele desejo de me perder nos lençóis com aquele ser frágil e divino era imenso, maior que eu, não conseguia controlar. O ciúme e a vontade de desposá-la e fazê-la me amar cresceu. Porém tinha consciência disso ser impossível pela minha família, a dela, meu casamento e o fato de ela ter 35 anos a menos que eu. Isso me corroía por dentro.

Seu corpo pálido e belo, adolescente e queimando em desejos aguçava-me os sentidos. Aquele vestido discreto caía perfeitamente nela. Transbordava feminilidade, sensualidade, segurança sobre si mesma e confiança. O vestido, embora solto, mostrava-me suas curvas e a vontade de despi-la e beijá-la fazia-me delirar. Não havia no meu pequeno ser desejado um pingo de vulgaridade e pelo que ouvira falar sobre ela ser culta e bem informada deixava-me mais interessado nela.

O tempo foi passando e os convidados iam se despedindo e meu desejo por ela aumentando. Oh, conjunto meigo e virginal de todas as coisas boas proveniente da terra e dos céus, és bela, és perfeição!

Quando vieram se despedir de mim, fiquei contente, pois teria por alguns segundos o corpo do anjo junto ao meu. Nem prestei muita atenção neles, interessava-me mesmo tocar o divino. A bela ninfa dirigiu-se a mim já com um sorriso estampado no rosto e nos abraçamos forte, com desejos ardentes; sussurrou-me que a festa havia sido ótima e que havia adorado o privilégio de poder estar presente na ocasião. Disse-me o anjo um “cuide-se” com gosto de “cuide-me” antes de terminar o abraço, e após, ao soltar-nos do laço de braços, como última lembrança, apertou-me a mão direita.

Só pensava nela e adormeci depois pensando nela. Quando acordei no dia seguinte e vi que não havia sido um sonho, enchi-me de alegria. Desejava ver aquele ser perfumado de felicidade e desejo entrando pela porta a todo momento.

Um mês e meio passou-se em pensamentos no anjo. Um almoço de família estava marcado para aquele domingo e a esperança de rever meu ser desejado, e talvez mais que isso, amado, fez meu coração acelerar.

Arrumei-me como para encontrar uma rainha. Minha esposa ainda fez troça de mim, que estava muito bem arrumado para aquela simples ocasião. Fomos o caminho inteiro conversando e ouvindo música no carro. Minha alegria a contagiava, mas ela não sabia o real motivo da minha felicidade.

Chegamos ao local, na casa do meu irmão, manobrei o carro e entramos. Ao chegar lá não avistei minha bela desejada e logo fiquei preocupado.

Deixei que se passassem alguns longos e angustiantes minutos antes de perguntar dela, e quando perguntei veio-me a surpresa: ela deixara de ser namorada do meu sobrinho, pois ele não a queria mais, por motivos que desconheço.

Um horror imenso apoderou-se de mim, pois nunca mais veria o anjo, mas depois de um tempo a ideia de ela estar solteira me animou. Pensei em tudo que nos impediria de ficar juntos e logo mergulhei no desespero novamente.

Comecei a andar pelas ruas diariamente a sua procura. Já se passaram anos e eu continuo procurando aquele ser divino pelas ruas. Depois daquele domingo me tornei mais silencioso, pensativo –com o pensamento sempre no meu pequeno ser dourado- e melancólico.

Nunca mais me esqueci daquela forma pura de Vênus, daquele dia que a cobicei, daqueles olhos e daquele sorriso encantador. Oh meu ser perfeito! Nunca senti desejo tão ardente assim por alguém antes, nem pela minha esposa – confesso.

Só agora, depois da morte da minha esposa e muito tempo depois criei coragem para escrever sobre ela. Só agora tive coragem para dizer que amei a primeira namorada do meu sobrinho.

Faço isso porque quero que ela saiba que a amei daquele dia em diante, mesmo tendo-a visto só uma vez. Espero que ela ainda se lembre de nós e algumas perguntas que gostaria que ela me respondesse após esse relato sobre o nosso –meu- amor são: Será que ela ainda se lembra? Amaste-me também, como eu vos amei?

Promete, meu amor, nunca esquecer deste velho que gastou a vida a pensar em ti?

Oh, minha mais bela obra de arte, meus dias estão se acabando. Será que poderás me ver antes de eu partir, para que eu parta em paz e tenha a certeza de que valeu a pena te amar em segredo todo esse tempo?

Oh, meu anjo, apareça!

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